Estilo, ativismo social e muito, muito charme. Um movimento criado, em 2006, na Dinamarca não só já chegou ao Brasil como está conquistando cada vez mais adeptos: o Cycle Chic.

A proposta é aposentar as roupas esportivas e pedalar com os modelitos normais, aqueles usados no dia a dia. Com isso, a ideia é desmitificar a bicicleta como mero esporte ou objeto de lazer e colocá-la em lugar que é seu por direito: o de meio de transporte.

Saudável, sustentável e agora estiloso: veja como aderir à tendência do Cycle Chic!

Cycle Chic cresce cada vez mais no país

Não se sabe bem quando a tendência chegou ao país, mas o Cycle Chic ganha cada vez mais espaço – assim como o ciclismo como meio de transporte.

A malha cicloviária brasileira, por exemplo, já passa dos 3 mil Km. Além disso, ela aumentou 133% somente entre os anos de 2014 e 2018, de acordo com levantamento do G1.

Lá fora, tudo começou com o blog Copenhagen Cycle Chic, do fotógrafo e cineasta dinamarquês Mikael Colville-Andersen, que começou a publicar fotografias de ciclistas cheios de estilo.

Em Copenhagen, aliás, mais da metade da população utiliza a bicicleta como meio de transporte diário, justamente com roupas normais do dia a dia. A ideia ganhou o mundo e, por aqui, no Brasil, já rendeu frutos.

Um deles é a customização de bicicletas antigas. Assim, emprestando ainda mais charme ao Cycle Chic. Várias lojas já se especializaram nesse tipo de trabalho, oferecendo modelos cada vez mais caprichados.

Outro fruto pegou carona na tendência, também influenciada pelo Cycle Chic, só que emprestada de Londres: o Tweed Hide.

Em Belo Horizonte (MG), por exemplo, desde 2013, pessoas de todo o país se reúnem para pedalar bikes de seus avós com roupas vintage das décadas de 40 e 50. Uma verdadeira viagem no tempo.

Cycle Chic é bastante comum na Europa

Não é só na Dinamarca, aliás, que a população pedala mesmo para ir aos eventos mais sofisticados. Em vários países da Europa esse é um movimento comum, cultural, que só agora está começando a tomar espaço entre os brasileiros.

Conjuntamente com o aumento das ciclovias pelo país, várias cidades também têm apostado em bicicletários cada vez mais modernos, além de iniciativas privadas que estimulam o bike sharing, o uso compartilhado da magrela como alternativa de transporte sustentável.

Nesse cicloativismo, é cada vez mais comum as pessoas ver bem vestidas pedalando para chegar a restaurantes, teatros e, é claro, ao trabalho.

O Cycle Chic vem tornar essa uma realidade cada vez mais viável. Assim, mostrando que não é só porque alguém está de bicicleta que chega ao seu destino sujo e desarrumado – nem que a bike é coisa de adolescentes ou classes menos favorecidas.

Como ser cycle e chic

Como movimento, o Cycle Chic não poderia ser mais inclusivo. Qualquer pessoa que use suas roupas habituais e a bicicleta como meio de transporte está dentro.

  • Vantagens

As vantagens são muitas. A bicicleta ajuda a emagrecer (é exercício físico), a melhorar o humor , acaba com o sedentarismo (faz bem para a saúde) e ainda melhora os engarrafamentos nos grandes centros (menos carros nas ruas).

  • Bicicletas adaptadas

Para quem acha difícil pedalar de salto alto ou de saia, há várias adaptações utilizadas no mundo afora que também podem ser feitas nas bikes daqui. É aí que entram as customizações, que tanto podem ser feitas nos modelos novos como nos antigos.

Como o Cycle Chic já se espalhou pelo país, não é difícil encontrar profissionais que se dedicam a transformar bicicletas ou mesmo encontrar alguns modelos já prontos.

Os modelos mais antigos acabam sendo os mais charmosos, é claro. Também é possível encontrar unidades importadas que já vêm com várias adaptações e são zero quilômetro.

Por outro lado, há também as bicicletas elétricas que, sim, também estão valendo. São uma boa solução para o caso de pessoas que não querem, ou não podem pedalar ou que precisam subir ladeiras com frequência.

Manifesto Cycle Chic

Quando o movimento Cycle Chic começou a tomar o mundo seu criador, Mikael Colville-Andersen criou algumas definições para o termo – de onde, logo, surgiu um “manifesto”.

Assim, para quem gostou da ideia e quer pedalar nessa tendência, dá para se basear nessa espécie de “guia” para você se inspirar:

  • Colocarei acessórios de acordo com os padrões de uma cultura ciclística e comprarei, quando possível, um protetor de corrente, pedestal, guarda-saia, para-lamas, campainha e cesta;
  • Irei considerar minha bicicleta como meio de transporte e como um mero complemento do meu estilo pessoal. Permitir que minha bike chame mais a atenção do que eu é inaceitável;
  • Estou ciente de que minha mera presença na paisagem urbana irá inspirar outros sem que eu seja rotulado como “cicloativista”;
  • Assumo minha responsabilidade em contribuir visualmente para uma paisagem urbana esteticamente mais agradável;
  • Garantirei que o valor total de minhas roupas sempre seja superior ao valor total de minha bicicleta;
  • Escolho pedalar chique e, sempre que puder, escolherei estilo em vez de velocidade;
  • Escolherei uma bicicleta que reflita minha personalidade e estilo;
  • Recusarei usar e possuir qualquer forma de “roupas de ciclismo”;
  • Pedalarei com graça, elegância e dignidade;
  • Respeitarei as leis de trânsito.

Dicas de elegância (e segurança) Cycle

O manifesto não significa, no entanto, que você deve abrir mão dos itens de segurança. Eles existem, só que de uma forma um pouco mais elegante, sem a pegada esportista, em chapéus, mochilas, bolsas e casacos com faixas reflexivas. A Oakley, por exemplo, já tem coleção inteira voltada para os Cycle Chics.

De qualquer forma, vale a pena ficar atento a algumas dicas básicas para pedalar com estilo:

  • Se sua bicicleta não tiver protetor de corrente, opte por calças justas, mas não muito para não prender a circulação. As que têm elastano são as mais confortáveis;
  • Ao pedalar de salto alto, use apenas a parte da frente dos pés, prefira solas mais ásperas e nunca encaixe o pedal entre a sola e o salto;
  • Nos dias frios, crie looks em camadas, assim você vai tirando conforme for esquentando com a pedalada;
  • Chapéus são um charme, mas não esqueça de prendê-los com elástico para não voarem;
  • Escolha roupas confortáveis, que permitam subir e descer da bike sem problemas;
  • Prenda pelo menos parte dos cabelos para que não atrapalhe a visão com o vento;
  • Use shorts de lycra por baixo da saia ou do vestido para se sentir mais segura;
  • No calor, troque a mochila, que esquenta as costas, por uma cesta bem bonita;
  • Tecidos de algodão são mais fresquinhos e deixa a pele respirar.

E então, pronta para aderir ao Cycle Chic na sua casa de veraneio? Já que o assunto é estilo, aproveite e veja 4 tipos de construções de casas para se inspirar!