De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a maior taxa de pessoas com sintomas da depressão na América Latina, ou seja, 5,8%. Nas Américas, o país perde apenas para os Estados Unidos.

A depressão é um transtorno que, segundo a OMS, atinge mais de 300 milhões de pessoas ao redor do planeta. No entanto, pesquisas mostram que a própria natureza pode ser uma poderosa aliada contra a doença.

Segundo os pesquisadores, a simples presença de árvores no local de moradia ou de veraneio é capaz de aliviar os sintomas da depressão. Isso significa que aquela sensação de bem-estar que sentimos em locais arborizados não é apenas uma impressão.

Não é à toa, que viver perto da natureza é um investimento em qualidade de vida. Veja o que dizem as pesquisas e descubra como o meio ambiente influencia na sua paz interior.

Quanto mais árvores, menos sintomas da depressão

Não são só os sintomas da depressão que assombram a população. Somos também o país mais ansioso do mundo.

De acordo com a OMS, mais de 19 milhões de brasileiros sofrem com a ansiedade, um conjunto de transtornos que incluem fobia, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático e ataque de pânico.

Por outro lado, o ritmo agitado, o estresse nas ruas e a pouca arborização da maioria das capitais parecem tornar a rotina ainda mais pesada.

No estudo “Paisagem e Urbanismo”, publicado na revista Science Direct, por exemplo, os cientistas da Universidade de Exeter (Reino Unido) relacionam a quantidade de árvores próximas de casa à saúde mental.

Entre 2009 e 2010, a pesquisa analisou a quantidade de prescrições de antidepressivos entre os moradores de Londres e a quantidade de árvores próximas às suas residências. É importante ressaltar que a presença de parques e áreas públicas de lazer não foram levadas em consideração para o estudo.

Os pesquisadores chegaram à conclusão que a paisagem mais verde serve de estímulo à interação com outras pessoas e à prática de atividades físicas, assim, aliviando os sintomas da depressão.

Ou seja, quanto maior a quantidade de árvores, menor o quadro de ansiedade e depressão.

Natureza impacta positivamente na saúde mental

Os resultados do estudo anterior são bastante parecidos com um outro estudo, dessa vez, realizado pelos pesquisadores australianos da Universidade de Deakin. Segundo eles, os momentos de relaxamento e liberdade oferecidos pelo contato com a natureza impactam positivamente na saúde mental. Consequentemente, aliviando os sintomas da depressão.

O tema, no entanto, é recorrente em todo o mundo. Um resultado ainda mais contundente foi obtido pelos especialistas do Centro Médico Universitário de Amsterdã, na Holanda. Segundo eles, quem vive perto das árvores chega a ter 21% menos chances de desenvolverem sintomas da depressão.

Os benefícios constatados pela pesquisa, no entanto, não param por aí.  De acordo com os pesquisadores, o contato com a natureza:

  • melhora ainda a qualidade do sono;
  • ajuda a evitar problemas cardíacos e pulmonares;
  • contribui para aumentar a imunidade;
  • melhora o desenvolvimento cognitivo das crianças;
  •  e ainda reduz as chances de desenvolver doenças como obesidade e ansiedade.

Impacto da vizinhança verde é ainda maior nos jovens

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Viver ou conviver regularmente em um local com farta paisagem verde tem efeitos muito mais duradouros do que se imagina.

Na Dinamarca, especialistas da Universidade de Aarhus publicaram um estudo na revista científica multidisciplinar PNAS sobre o efeito das áreas verdes em pessoas mais jovens. A pesquisa mostrou que crianças criadas em áreas verdes têm entre 15% e 55% menos chances de desenvolverem distúrbios mentais por toda a sua vida.

Essa é, basicamente, a mesma conclusão de um outro estudo da Universidade da Califórnia, a UCLA (Estados Unidos).

A análise de 80 mil famílias, entre jovens e adultos, mostrou que adolescentes que vivem em locais arborizados têm 36% menos risco de desenvolver transtornos metais, entre eles sintomas da depressão e ansiedade.

Dois benefícios pouco conhecidos de viver entre as árvores

Beleza, paz, tranquilidade, relaxamento. Viver entre árvores pode aliviar os sintomas da depressão, mas há pelo menos outros dois benefícios que a maioria das pessoas sequer têm ideia.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC de Londres, divulgou um estudo da organização americana The Nature Conservancy destacando alguns efeitos proporcionados pelas árvores e que acabam impactando positivamente também na nossa saúde mental.

  • Melhor recuperação física: na década de 80, um estudo mostrou que pacientes que haviam passado por cirurgia de vesícula, em um hospital da Pensilvânia, tinham uma recuperação melhor e mais rápida em quartos com vista para áreas arborizadas do que aqueles em quartos com vista para outros edifícios.
  • Mais pensamentos positivos: na Universidade de Stanford, uma pesquisa mediu o impacto de uma caminhada de 90 minutos entre as árvores e entre uma rua movimentada. O grupo que caminhou na rua mostrou um aumento no padrão de pensamento crítico sobre si mesmo e eventos do passado, o que é vinculado aos estados depressivos. Já aqueles que caminharam em meio à natureza tiveram menor atividade na região do cérebro ligada à autocrítica e aos sintomas da depressão.

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